Talvez se ela não se tivesse ido embora, ele não tivesse aberto os olhos, talvez não tivesse mudado.
Infelizmente, achava que fora o facto de saber que a tinha perdido que o modificara, e, claro o caderno cor-de-rosa, também tivera o seu papel.
Ao pegar no telemóvel, já em casa, percebeu que tinha uma série de chamadas de Joca.
Tentou ligar-lhe, mas ele não atendia. Ainda devia estar na festa com a rapariga loira, por isso deixou-lhe uma mensagem de voz a dizer que já estava em casa, e que estava bem, ele que não se preocupasse.
Domingo de manhã, acordou mais tarde e deixou-se ficar a preguiçar por um bocado na cama.
Quando se levantou, tomou um duche e foi para casa dos pais, tinha prometido à mãe que iria lá almoçar, e, pelo caminho a mãe ligara-lhe três vezes.
Que mania de o controlar!
- Pensei que já não vinhas. - disse a mãe mal ele entrou em casa.
- Ena, que maneira de cumprimentar o teu filho! - desdenhou ele.
- Oh, deixa-te de coisas, eu bem sei como tu és! És meu filho! E, conheço-te.
- Ai mãe, que dramática! É domingo! Não ia aparecer aqui ás oito da manhã!
Claro que por vontade dela tinha ido lá dormir no dia anterior.
A festa tinha servido como desculpa para o safar, mas, agora servia para o massacrar porque queria pormenores.
É inevitável, para os pais, os filhos nunca crescem.
Mudou de assunto e anunciou que estava a pensar ir ao canil buscar um cão.
Meu Deus, pensou, a única coisa interessante que tenho para contar é que vou adoptar um cão! Daqui a pouco já me vejo no sofá a fazer tricô todas as noites!
Bom, talvez aproveite e faça umas roupas para o cão, visto que agora está na moda os cães usarem roupa.
A mãe não gostou da ideia do canil. Dissera que era ir escolher o que os outros não queriam, as sobras, e ela nunca gostara muito das sobras.
Ele, por seu lado, via a situação de outra maneira.
Para que ir comprar um cão, quando havia tantos no canil, á espera que alguém os levasse para casa. Sabia que alguns nasciam lá, mas outros eram muitas vezes maltratados e abandonados.
Portanto, podia ajudar um cachorrinho que estivesse encarcerado no canil, levá-lo para casa e mostrar-lhe que as segundas oportunidades existem.
Até ele gostava de uma segunda oportunidade.
Bom, e de certa forma estava a tê-la, não se calhar da forma que imaginara, mas por vezes temos que aceitar que nem tudo pode acontecer como nós queríamos ou gostaríamos que fosse.
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