De facto, as pessoas nunca conseguem estar contentes consigo próprias, nem com os outros.
Até a mãe, que sempre disparatara com ele por sair tanto, por deixar a namorada em casa e ir sair quando bem lhe apetecia, agora achava que ficar enfiado em casa não lhe fazia nada bem, e até o incentivava a sair.
Quando saía, não lhe agradava, agora que não saía, também não lhe agradava.
De facto, não se pode agradar a toda a gente.
A verdade era que levava agora uma vida bem mais "saudável" e sentia-se bem com isso.
Claro que, lhe faltava ela e tinha muitas saudades, mas começava a acostumar-se à sua ausência.
Começava a saber lidar com as saudades que tinha.
Pegou no casaco e decidiu ir até ao parque.
Gostava de ir ali, porque se distraia um bocado, caminhava e apreciava a beleza e harmonia das espécies florais que ali havia.
Ia ele a caminhar, perdido nos seus pensamentos, quando reparou num cãozinho que parecia segui-lo.
Parou por uns segundos, e o cão parou com ele.
Recomeçou a andar e o cão seguiu-o.
- Andas a seguir-me hein? - perguntou.
Oh, meu Deus!
Até já falas com cães!
A tua mãe tem mesmo razão em estar preocupada.
Parou e fitou o cão.
O cão ladrava e abanava a cauda energicamente.
Baixou-se e afagou-lhe a cabecinha castanha clara.
Ela sempre quisera ter um cão, dissera-lhe tantas vezes que gostava de ter um Yorkshire Terrier.
Ele, gozara com ela, claro.
Dissera-lhe que isso nem sequer era um cão, era um cachorrinho, além disso não tinham onde o pôr, e ele, com certeza que não o ia passear.
Era sempre do contra, tinha que admitir.
Bastava ela dizer qualquer coisa, que ele era logo do contra.
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