sexta-feira, 15 de março de 2013

O QUE NUNCA TE DISSE

- Bom, não te tomo mais tempo. - disse ele, com um olhar triste - Até uma próxima. - disse sem convicção, enquanto se levantava e a deixava ali sentada à mesa.
Quando saiu do café, o coração ainda lhe martelava no peito com uma força desmedida.
Nem conseguia acreditar que finalmente a tinha visto!
Pelo menos, não se tinha mudado, e graças a Deus que a tinha encontrado sozinha.
Chegava a ser irónico!
Procurara durante este tempo todo, entrar em contacto com ela, e , quando menos esperara, ali estava ela!
Percebeu o desagrado na face dela, quando o vira.
Doeu-lhe, mas conseguia compreender que era natural, que provavelmente ela não o queria ver nem pintado de azul, que era a sua cor favorita.
Perscrutara a expressão dela, tentando encontrar algum sinal que lhe indicasse que além de zangada, ainda tinha algum tipo de sentimento por ele.
Infelizmente, não conseguira chegar a nenhuma conclusão.
Ela exibira durante toda a conversa, uma expressão dura e distante.
Não tinha qualquer hipótese, pensou desanimado.
Caminhou para casa, enquanto pensava  na conversa que tiveram.
Sentia uma espécie de alívio, por finalmente terem conversado, ou por ter falado e ela o ter escutado.
Ao chegar a casa, esparramou-se no sofá, pegou no comando e ligou a televisão.
Tinha percebido que ver televisão o ajudava a desanuviar a cabeça.
Quando ligava a televisão, era como se desligasse os seus pensamentos e deixava-se absorver totalmente pela caixinha mágica.
Também a jardinagem tinha nele um efeito terapêutico.
Decididamente, estava a descobrir coisas sobre si próprio, que nem ele sabia.
E, descobrira que era possível mudar certas coisas nas nossas vidas, se nos dedicarmos a isso.
Não é fácil, assim como não é fácil admitir quando erramos, mas é possível.

Sem comentários:

Enviar um comentário