sábado, 16 de março de 2013

O QUE NUNCA TE DISSE

Fitou-o curiosa.
Ele, percebendo que ela estava a olhar fixamente para ele, percebeu que provavelmente estaria a interrogar-se sobre o que estaria ele a pensar.
Desejou secretamente que ela não pensasse que estaria a pensar na esbelta empregada loira, porque não estava.
Contou-lhe o episódio do cão, porque era no que estava a pensar.
- Na verdade - iniciou ele - não sei porque era tão averso a que tivéssemos um cão. - deixou escapar.
- Nem eu. - disse ela pensativa - Eu sempre quis ter um Yorkshire Terrier, acho-os encantadores, até já pensei ter um, mas no apartamento não o posso ter.
Pronto! Já tinha deixado escapar que estava num apartamento!
- Sim, não ia ter muito espaço, para ele. - disse ele, deixando passar o seu deslize aparentemente despercebido.
Acabou por confessar-lhe que provavelmente ia adoptar um cãozinho.
Até já tinha pensado passar pelo canil, mas ainda não tinha tido oportunidade.
Contou-lhe que agora sim, tinha um jardim e até se dedicava a cozinhar.
Ela ouvira-o surpreendida e encantada com aquelas pequenas revelações.
Talvez ele tivesse mesmo mudado.
Ficaram ali á conversa, perdendo a noção do tempo.
Quando repararam nas horas, já era tardíssimo.
Ofereceu-se para a levar a casa, uma vez que o café ficava perto de sua casa, só tinha que ir buscar o carro e levá-la, mas ela não aceitou.
Preferiu chamar um táxi.
Claro, provavelmente não queria que ele soubesse onde morava.
- Sabes, gostei muito. - disse ele verdadeiramente satisfeito.
- Eu também. - assentiu ela.
- Devíamos conversar mais vezes. - deixou ele escapar, antes de ela entrar no táxi.
Talvez, se tivessem conversado mais vezes, antes, antes de ela se ter ido embora, talvez, nessa noite pudessem voltar juntos para casa, em vez de cada um ir para seu lado.
Talvez sim, talvez não.

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