sábado, 16 de março de 2013

O QUE NUNCA TE DISSE

- Ele é um bocado irrequieto, e, quando o trago ao parque e se apanha solto, desata logo a correr. - explicou ela - E depois, fico montes de tempo á procura dele. Acho que é a essa parte que ele acha tanta graça.
- Devia ter mais cuidado. - disse Fred num tom mais duro do que pretendia - Ou, qualquer dia ainda fica sem ele. - advertiu.
- Sim, talvez tenha razão. - concordou ela, com pouco agrado.
E, tinha mesmo, pensou para consigo. O cão nem sequer tinha coleira, nem identificação, até a ele próprio lhe ocorrera levá-lo consigo.
- Não me leve a mal - disse Fred num tom mais suave - mas, ele não tem coleira, nem identificação...
- Claro que tem! - interrompeu ela com convicção.
Deu uma olhadela ao cão e ralhou:
- Binky, o que fizeste tu à coleira, seu maroto?
- Como eu dizia, deve fazer mais atenção. - repetiu Fred.
A rapariga olhou-o com cara de poucos amigos, mas, ele tinha razão. Agradeceu-lhe, pegou em Binky ao colo e foi-se embora.
Pelo menos, o Binky era mais simpático que ela, pensou.
Bom, talvez fosse a preocupação com o seu cachorro a falar mais alto.
Também, nem sequer a conhecia, não podia fazer juízos de valor.
Enquanto ia para casa ficou a matutar numa ideia que lhe ocorrera.

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