" A cada dia que passa, sinto o cansaço a apoderar-se de mim.
Não consigo mais fingir que não sinto nada, não consigo fazer de conta que não sei as coisas, não consigo mais fazer de conta que as coisas não me atingem.
Os meus limites, as minhas forças, a minha paciência e a minha resistência estão a chegar ao fim.
O meu amor por ti, ainda assim, é teimoso como o raio e resiste, resiste apesar de tudo, resiste á razão, ás desilusões, á mágoa, mas a verdade é que quem já não consegue resistir mais sou eu."
E, aquilo dizia tudo.
O caderno cor-de-rosa estava a chegar ao fim, assim como chegara ao fim a relação deles, assim como no limite da sua resistência, ela se fora embora.
A cada folha daquele caderno, relembrava-se que ela se tinha ido embora por sua culpa.
Praticamente em cada folha era enunciado um dos seus defeitos.
A cada folha era-lhe exposta a verdade nua e crua dos sentimentos dela.
A cada folha, era praticamente palpável a mágoa dela, as desilusões que sofrera e o mal que ele lhe fizera.
Respirou fundo antes de virar a página para ficar a conhecer as últimas palavras dela.
O que teria ela deixado para último?
Que lhe diria ela por fim?
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