quinta-feira, 14 de março de 2013

O QUE NUNCA TE DISSE

Ás vezes, quando entrava num sítio qualquer olhava á volta, a estudar os rostos, com esperança de poder encontrá-la.
Ainda precisava da tal conversa.
Todos os dias, desejava ter notícias dela, desejava vê-la.
Agora, dava graças a Deus por ela ter deixado ali aquelas fotos, que ocupavam, juntamente com o caderno cor-de-rosa, a mesinha de cabeceira que outrora fora dela.
Todos os dias olhava para as fotografias.
Umas vezes com saudade, outras com pena, outras com revolta, outras com tristeza.
Aquele gesto, de ter deixado ali as fotografias, por um lado agradava-lhe, porque senão, não as poderia contemplar todos os dias, mas, por outro lado, feria-o profundamente, porque lhe relembrava que ela o quisera deixar para trás, a ele e a qualquer coisa que a lembrasse dele e da relação deles.
Isso deixava-o triste.
Mas, conseguia perceber que ela se fora embora muito magoada, e com razões para isso.
Ás vezes, pegava no caderno cor-de-rosa e relia-o.
Gostava especialmente da primeira folha, em que ela dizia que o amava, e isso reconfortava-o e trazia-lhe á memória todas as vezes em que ela lho dissera.

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